A Clínica na Mídia
Neurologista esclarece principais dúvidas sobre Mal de Parkinson

O Globo Online - Por Maria Vianna

RIO - Durante um mês, o neurologista Oscar Bacelar, especialista em doenças degenerativas e autor do livro "Lembro, logo existo", respondeu perguntas dos leitores do site do Globo sobre Mal de Parkinson. Confira algumas respostas do médico.  


- Quais são os sintomas iniciais da doença? Há um exame que indica sem dúvida o que é Parkinson?

Tremor, rigidez, lentidão dos movimentos e instabilidade postural costumam ser os primeiros sintomas. O melhor exame para indicar Parkinson (e qualquer doença) é o olho e a mão do médico. Exames complementares são feitos para descartar causas secundárias. Como o próprio nome diz, são "complementares". Ao entrar no consultório, metade do diagnóstico já estará feito. Sem o paciente perceber, o médico já vai observar sintomas como seu caminhar em monobloco, sua ausência na mobilização dos braços, sua postura encurvada para frente, o tremor típico de "contar dinheiro", sua face inexpressiva (fixa e olhando para o nada). Enfim, as máquinas ajudam, mas são os médicos que diagnosticam e tratam. Não vamos esquecer disso.   


- Que tipos de tremores indicam Parkinson?

O tremor do Parkinson não tem padrão circadiano de mudança do tremor, ou seja, ocorre de forma similar ao longo de todo o dia. O tremor ao movimentar os membros voluntariamente, como levantar os braços para beber, é de ação, diferente do tremor parkinsoniano, que aparece em repouso. O tremor parkinsoniano é de repouso, caracteristicamente o polegar bate no indicador como se a pessoa estivesse contando dinheiro. Existem outros tipos de tremor: tremor intencional (ao pensar no movimento a pessoa treme), tremor postural (treme ao ler jornal, por exemplo) e tremor de ação (treme ao fazer um movimento). As pessoas podem ter mais de uma forma de tremor, por isso é necessária a avaliação do médico.  


- Qual a faixa etária dessa doença?

Cerca de 5 % dos portadores apresentam sintomas antes dos 40, é chamado de parkinson juvenil ou de início precoce. A doença se manifesta mais comumente após os 65 anos, com sua prevalência aumentando com o decorrer dos anos. A doença se manifesta por distúrbios motores inicialmente e o tratamento é sintomático.   


- Como podemos ajudar o doente em fase avançada da doença? Como o Parkinson evolui na fase avançada e como aliviar o sofrimento do doente?

Existem várias complicações tardias do Parkinson como discinesia tardia (movimentos involuntários), wearing-off (flutuação de fim de dose), on-off (liga-desliga), freezing (congelamento); de manejo muito difícil. Existem diversas tentativas para tentar minimizar os efeitos tardios da doença. O objetivo é tentar deixar o estímulo contínuo sobre os poucos receptores que ainda funcionam. Só o neurologista pode avaliar os diferentes esquemas terapêuticos.   


- Para que servem os estimuladores cerebrais?

A colocação de estimulador cerebral profundo trata o tremor, chegando até mesmo a extingui-lo. No entanto, vale lembrar que Doença de Parkinson não é igual a tremor, mas uma síndrome que envolve rigidez, lentificação dos movimentos, diminuição dos movimentos automáticos, instabilidade postural e tremor. A colocação do estimulador ocorre em cirurgia em que o paciente permanece acordado, para o médico poder verificar o melhor local para liberar o estimulador e frequencia utilizada. Isso pode ser uma experiência muito aterrorizante para o paciente, porque, apesar de não sentir dor, sabe que alguém está enfiando uma agulha no seu cérebro. Depois é colocado um marcapasso no tórax para ficar mandando impulsos ao estimulador e eles ficam ligados entre si por um fio que corre por sob a pele. A frequência do estímulo pode ser modulada externamente com um aparelho colocado sobre o marcapasso, como se fosse um controle remoto. A cirurgia é um procedimento antigo, seguro e cada vez mais usada no nosso meio. Mas não deve ser indicada para todos os pacientes com Parkinson.   


- A nova cirurgia do neurocientista Miguel Nicolelis pode ser uma esperança de cura para o Mal de Parkinson?


Nicolelis testou, em ratos que tomaram sustâncias para simularem Parkinson, um implante medular e obteve resultados surpreendentes. Esta cirurgia é um tratamento em potencial para Parkinson, mas ainda há de se aguardar futuros testes. Dificilmente significará a cura para Parkinson, porque não age na sua causa.   


- Células-tronco podem ser uma opção?

Há anos já se tenta transplante de células mesencefáficas fetais para o tratamento de Parkinson, mas com resultados fracos. Células-tronco são uma promessa.   


- Alguns medicamentos podem estimular o aparecimento da doença?

Qualquer medicamento que atua diminuindo a atuação da dopamina intracerebral pode causar parkinsonismo. Na maioria das vezes, o sintoma desaparece com a interrupção do remédio. A cinarizina e a flunarizina, usadas para tonteira e tratamento da enxaqueca, podem provocar parkinsonismo medicamentoso.  As drogas que mais comumente causam parkinsonismo são os antipsicóticos típicos, por exemplo, haloperidol.   


- Existe alguma relação entre Parkinson e Alzheimer?

Ambas são doenças neurodegenerativas, ou seja, afetam o sistema nervoso central e tem curso progressivo de piora. O Alzheimer afeta primariamente a memória, linguagem e comportamento; já o Parkinson afeta primariamente os movimentos. No entanto, podem ocorrer alterações do movimento no Alzheimer e demência no Parkinson. Comumente, as respectivas alterações, ocorrem nas fases avançadas das doenças.   

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